sábado, 14 de novembro de 2009

Desde tempos imemoriais...

1. Era um vez ele.
2. Era uma vez ela.
3. Milhares de coisas poderiam ter dado errado
4. E mesmo dando, os dois ainda se encontraram.
5. Pareciam ser os mesmos
6. E viviam discutindo por serem diferentes.
7. Se amaram desde a primeira briga
8. E por isto não paravam de brigar mais.
9. Se viam todo dia.
10. Trocavam insultos, sorrisos, olhares cúmplices
11. Se entendiam de todas as formas.
12. Despertavam inveja por serem assim.
13. Eles mesmo se invejavam.
14. Não se podia dizer quem era mais cabeça-dura
15. Nem quem era mais dono da razão
16. Riam das próprias desgraça juntos
17. E sofriam mais com a desgraça um do outro do que com as de si mesmo.
18. Sabiam de tudo, mesmo que não dissessem.
19. Certa vez apareceu o tal vilão da história.
20. Ele ameaçava os separar por tanto tempo.
21. Nem adiantou.
22. Querendo ou não lá estava os dois juntos.
23. Eles mesmo não entendiam porque não se separavam.
24. E nem o que sentiam um pelo outro.
25. Um dia ele desvendou o mistério
26. Mas foi obrigado a guardar tudo num canto escuro do coração só pra continuar a viver a amizade.
27. Ela sempre disse que seria impossível algo mais.
28. E ela sempre quebrava a cara.
29. Ela tentou se convencer do contrário
30. Tentou guardar tudo numa caixinha
31. Guardou.
32. E eles ainda viviam felizes todos os dias.
33. Fugiam da vida pra ir pra qualquer fim-de-mundo ficar em silêncio por horas.
34. É que o silêncio dos dois sempre gritava mais do que as palavras.
35. Um dia o silêncio não se conteve mais.
36. Saiu gritando pelos quatro cantos a verdade tão temida
37. Neste dia, segundo ele, os olhos dela brilharam com o brilho mais intenso que ele já viu.
38. E o coração dele, segundo ela, batia como uma escola de samba.
39. Enfim os dois juntos.
40. Quando os outros souberam disto fizeram festa.
41. Pelos outros, eles já estariam casados e com 4 filhos.
42. Mas sempre tem vilões.
43. E não podia ser diferente.
44. Ela os temia tanto que nem ousava contar pra ele.
45. Mas também nem precisava. Ele sempre a lia.
46. Ele disse que não eram gigantes, eram moinhos de vento.
47. Ela se acalmou.
48. Às vezes ela ainda ressuscita os gigantes
49. Mas basta a mão dele tocar na dela que ela volta a si.
50. Hoje ela descobriu que sempre haverá algum gigante
51. Ela chorou por isto.
52. Ele ouviu, a kms de distância, a lágrima dela tocando o chão.
53. Então lhe contou um segredo:
54. " ..."
55. De novo quem falava era o silêncio.
56. E foi quando ela viu nos olhos dele brotar uma lágrima teimosa.
57. Ele, pedra, que se continha, via agora uma gota de vida descendo pelo próprio rosto.
58. Foi aí que ela percebeu que tudo é mais antigo do que ela sequer imaginava
59. Ele já tinha sido grego, ela troiana; ele soldado romano e ela cristã...
60. E se se amavam "desde tempos imemoriais", não seria agora que a história acabaria... 



Branna Lorenna

2 comentários:

  1. Uau, Branna!! Que texto lindo! Você é a autora???
    Uma bela descoberta esse seu blog!

    Boa quarta pra tu!!

    ResponderExcluir
  2. É sim, rapaz do sorriso lindo.
    Obrigada ^^
    e apareça mais.

    beijos furta-coloridos!

    ResponderExcluir

Deixe aqui sua semente. É ela que enche de flores este lugar!
Obrigada pela visita! ^^
Seja sempre bem vindo ao Jardim.