sábado, 14 de novembro de 2009

O texto a seguir não é meu, mas gosto tanto dele (e de quem escreveu) que resolvi postá-lo aqui.
=)


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Pessoas, em seus relacionamentos são imprevisíveis, me lembram até rochas e o mar. As rochas e o mar, apesar do embate ferrenho e milenar, nunca se superam. Superficialmente, as rochas são fortes e implacáveis, enquanto o mar é fraco e maleável. Por muito tempo assisti esta bela disputa. Sempre preferi as rochas pelo seu porte, imponência e obstinação.
Durante meu amadurecer ocorreu um episódio singular. Após um choque, relativamente leve, um pedaço considerável da rocha foi arrancado. Em poucos segundos percebi que meu Titã predileto caia vertiginosamente em meus conceitos, e que minha visão sobre tudo mudaria drasticamente. Sentei na areia e entrei num conflito interior desleal. Observando meus dois combatentes mais a fundo, vislumbrei aquela faixa enorme de areia e percebi que toda aquela areia tinha feito parte da rocha, antes da água separá-las.
Aproximei-me da rocha e, ao tocá-la, a senti fria e áspera. Nesse momento uma onda encobriu meus pés até os tornozelos, com a água em temperatura agradável seu movimento constante tornava relaxante o contato. Analisando melhor percebi que fora fria, a rocha também era inerte e sem vida enquanto o mar se movimentava constantemente e dentro dele havia vida em quantidade assombrosa. Admiti meu grande erro.
Depois de muito pensar passei este aprendizado paras relações pessoais. Vi que há pessoas como as rochas, duras e obstinadas, mas também existem pessoas que se assemelham ao mar, sendo agradáveis e cheias de vida. No início, sinceramente, pensei que o melhor era ser como o mar e por isso cometi meu segundo grande erro. As pessoas que agem como rochas são as mais batalhadoras e guerreiras, nunca se deixam abater, por mais que olhem à frente e vejam um oceano de problemas muito maior que elas, sempre estão de pé, se negando a desistir. Notei a grande capacidade que essas pessoas têm de sobreviver “matando um leão por dia” e após esta cruel batalha estão vivas e, mesmo muito feridas pela luta, ainda conservavam uma vontade inabalável de continuar. Vi também pessoas que se assemelham ao mar, sempre sorridentes e alegres. Essas mesmas pessoas também têm outras características em comum com o mar: Repentinas, incontroláveis e impulsivas como o mais belo espírito livre, às vezes, sem ao menos notarem, são tão cruéis quanto a pior tempestade que deixa órfão o filho do pescador.Depois de algum tempo analisando cuidadosa e repetidamente vi que não há superiores, todos nos completamos, já que se não fossem as rochas nada pararia o ímpeto do mar.
Me considero um mar bem tempestuoso e agradeço muito as rochas que me cercam e por mais que nos desentendamos vocês tem importância incondicional para mim.


A. A. S.

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