quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



BRINDE

ano novo: vida nova
dívidas novas
dúvidas novas

ab ovo outra
vez: do revés
ao talvez (ou
ao tanto faz como fez)

hora zero: soma
do velho?
idade do novo?
o nada: um ovo

salve(-se) o ano novo!


José Paulo Paes
in UM POR TODOS(Poesia Reunida)
"O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança."

Mário Quintana

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009



Nem um ano vive um coração sozinho.
Mesmo só, da solidão se esconde.
Coração é feito passarinho.
Voa alto, leve e para longe,
Mas sempre volta pro calor do ninho!

Por Pâm.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Organiza o Natal

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Carlos Drummond

"Como se quisesse abraçá-lo para confirmar-se, como se pudesse abraçar-se para confirmá-lo. ''

Caio F.

domingo, 20 de dezembro de 2009

A Saint-Exupéry




A Saint-Exupéry


Minha insônia é fruto da dúvida
que rega minha preocupação...
Quando me ponho a olhar as estrelas
e consigo ouvi-las todas sorrindo,
posso ter uma noite longa e tranquila,
mas se por um acaso não ouço nada
é para mim como se todas chorassem...
Então me lembro daquela história
e não consigo dormir, o sono não vem
sim, o carneiro comeu a flor - eu penso,
e todas as estrelas apagaram...


Mas a raposa foi sábia em suas lições
e o principezinho um ótimo aluno.
Estando eternamente responsavel pela rosa
ele não descuidou dela por um minuto...
Eu me forço acreditar nisso,
então passo a admirar a noite
e as estrelas se tornam belas de novo,
pois nelas se escondem um grande amor
entre o pequeno principe e a rosa
aos cuidados de um carneiro
que ainda não posso ver.


De qualquer forma, o essencial é invisível;
para os olhos, não para o coração...
e se alguem pede um carneiro
é porque existe, e isso basta
para que eu seja feliz,
toda as vezes que meu coração
insiste em permanecer cego.


*


Texto da minha linda Débora Paixão.

E imagem feita por mim.


ps.: "carneiro assim sem boca, que é pra não comer a tal da rosa".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


'Deus e a nossa alma vivem em contínuo diálogo desde os tempos mais remotos. São confidentes um do outro. Sabem segredos preciosos que não nos contam enquanto não nos for possível entendê-los. Vêem cada fato sob uma perspectiva pela qual muitas vezes ainda não sabemos enxergar. Conhecem o jeito como as peças se encaixam, enquanto nos desgastamos tentando encaixá-las de qualquer maneira, com sofreguidão, para atender aos nossos interesses imediatos, mesmo que, restritos pela urgência dos seus apelos, não tenhamos visão do panorama real.A fé é um exercício pra vida inteira.
Na fé, eu sou capaz de me dizer, com amorosa humildade, que grande parte das vezes eu não sei o que é melhor para mim. Eu não sei, mas Deus sabe. Eu não sei, mas minha alma sabe.
Então, faço o que me cabe e entrego, mesmo quando, por força do hábito, eu ainda dê uma piscadinha pra Deus e lhe diga: “Tomara que as nossas vontades coincidam”. Faço o que me cabe e confio que aquilo que acontecer, seja lá o que for, com certeza será o melhor, mesmo que algumas vezes, de cara, eu não consiga entender.'


Ana Jácomo

Ô menina, sai dessa janela. Não precisa chorar. Não vê que se um ano vai, outro sempre vem? Daí, eu te garanto!... vai ter um sol grande lá fora e você vai poder brincar de novo. E de novo... No novo.

Branna Lorenna

Ela dançava à beira do precipício. Era consciente do perigo, mas parecia que aquilo lhe despertava para si. Sentia quente a respiração. O coração batendo vivo. Louco. A dose necessária de vida à vida.

Branna Lorenna

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Seus dedos tocavam-se. Si sustenido. Transcorriam cada uma daquelas teclas monocromáticas. Alcançavam notas invisíveis. Era um som único. Arrisco até mesmo dizer que era 'divino'. E de si saia uma luz, uma cor... Agora um Sol. Enquanto isto havia o ballet de suas mãos, numa delicadeza de dar êxtase. Seus olhos conversavam cada símbolo daquela partitura. E em mim acontecia algo novo, um borbulhar de sentimentalidades. Mi. Ela nem desconfiava, mas acabara de musicalizar uma nova vida.

Para Hadassa Lorrayne.

Branna Lorenna

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009


"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros."
Caio Fernando Abreu
''Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando me parece que eu não acredito em mais nada. Quando sou incapaz de ver qualquer coisa além do foco onde coloco a minha dor. Quando não consigo articular meus pensamentos nem entrar em contato com alguma doçura que me faça lembrar das coisas que realmente nos movem. Quando não lhe dirijo nenhuma prece. Nem com palavras. Nem com um sorriso enternecido quando dou de cara com uma flor. Com um pôr-de-sol. Com uma criança. Com uma lua cheia. Com o cheiro do mar. Com o riso bom de um amigo. Que ele me ouça com o seu ouvido amoroso e me acolha no seu coração, porque é exatamente nesses momentos que eu não consigo ouvi-lo.''

Ana Jácomo

'Nós tínhamos uma coisa que chamo de 'identificazzione di una donna'.
Era uma aproximação de alma que rolava comigo, com você, ... pessoas sensíveis, que têm uma alma parecida. As coisas que a gente escolhia para enxergar nesse mundo eram parecidas.
Apontávamos para os mesmos lugares. (...)'


por Bruna Lombardi
Trecho do livro 'Para Sempre Teu'

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ao nascer eu não estava acordado, de forma que
não vi a hora.
Isso faz tempo.
Foi na beira de um rio.
Depois eu já morri 14 vezes.
Só falta a última.
Escrevi 14 livros
E deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro.
(posso fingir de outros, mas não posso fugir de mim).
Já plantei dezoito árvores, mas pode que só quatro.
Em pensamentos e palavras namorei noventa moças,
mas pode que nove.
Produzi desobjetos, 35, mas pode que onze.
Cito os mais bolinados: um alicate cremoso, um
abridor de amanhecer, uma fivela de prender silêncios,
um prego que farfalha, um parafuso de veludo etc etc.
Tenho uma confissão: noventa por cento do que escrevo é invenção;
só dez por cento que é mentira.

Manoel de Barros

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fome de amor




Fome de amor é quase
maior que o amor
Fome de amor nunca termina
fica brilhando na retina
inventando novos passos
fome de amor é feito casa
para sempre em construção
desde o mais distante passado
até o mais remoto futuro.

Roseana Murray


Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns treze anos, o corpo elástico metido nuns blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida. Uma coisa eu lhe asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem dariam para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.

Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhe os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a perscrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor, e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo.

Que será, pergunto-me eu em vão, dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã, quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com os cabelos presos?

E se prosseguirem se amando, pergunto-me novamente em vão, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?

É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado… Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que freqüentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.

E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.


O amor por entre o verde, Vinicius de Moraes

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredito da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade."

Rubem Alves

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A pessoa errada.


"Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa,

não existe uma pessoa certa pra gente

Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é,

na verdade, a pessoa errada

Porque a pessoa certa faz tudo certinho

Chega na hora certa,

Fala as coisas certas,

Faz as coisas certas,

Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas

Aí é a hora de procurar a pessoa errada

A pessoa errada te faz perder a cabeça

Fazer loucuras

Perder a hora

Morrer de amor

A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar

Que é prá na hora que vocês se encontrarem

A entrega ser muito mais verdadeira

A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa

Essa pessoa vai te fazer chorar

Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas

Essa pessoa vai tirar seu sono

Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível

Essa pessoa talvez te magoe

E depois te enche de mimos pedindo seu perdão

Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado

Mas vai estar 100% da vida dela esperando você

Vai estar o tempo todo pensando em você

A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo

Porque a vida não é certa

Nada aqui é certo

O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo

Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo

E só assim é possível chegar àquele momento do dia

Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"

Quando na verdade

Tudo o que Ele quer

É que a gente encontre a pessoa errada

Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente."







texto de Luis Fernando Veríssimo,postado por Pâmela,para o Jardim Furta Cor!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

pequena homenagem a pequena grande idealizadora furta-colorida!




bem Branninha isso aqui é pq tú merece!
e eu tô com tanta saudade que não pude resistir
juntando tu com o Vinícius de Moraes o mundo parece perfeito!

"Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."

Vinicius de Moraes


[off: mais uma vez eu e meu "eu te amo mas não espalha"!]

terça-feira, 1 de dezembro de 2009



Querido Deus,

(…)

Leva-me… Mesmo sem eu merecer. Leva-me aonde é difícil chegar pelas pedras na estrada ou pelo descrédito de que consigo. Acreditas em mim e por mim. Acreditas que chegarei quando nem sequer saí do lugar. Dás o primeiro passo sempre… para me inspirar confiança e certeza da Tua presença no caminho. Vês além quando estou confusa com os obstáculos ou cansada pelo sol. És também a minha sombra. Tudo o que eu sou ainda é sempre pouco se contemplo ligeiramente quem Tu és. Se me detenho em Ti, desapareço, pois Tua imensidão me toma e completa. E daí vem à súplica: Mesmo sem eu merecer, não desistas de mim. Se bem, que eu mesma sei que nunca desistirias, afinal desistir não é próprio de um amor como o teu. Gratuito.

Ousaria roubar as palavras de Camões para dizer-Te que se “amar é um estar-se preso por vontade”, prende-me a Ti com os laços da tua amizade fiel, da tua alegria constante, prende-me no teu abraço que renova, na tua Palavra que conforta, no teu Olhar que desarma, no Teu silencio que fala.

Leva-me…

Confio em Ti!

Com carinho: Alice

*

Texto lindo da Licinha, que - como sempre - toca profundo com esta sensibilidade.
É do http://gizcolorido.wordpress.com/




"Amor é quando a gente mora um no outro"
Mário Quintana

*








Minha vontade é de te arrastar pra dentro de mim, porque já não suporto mais esta dor mansinha que arrasa tudo e que só você sabe curar. Tá, eu bem sei que você já mora aqui – meu coração diz isto toda vez que bate – mas eu queria você mais perto. Perto que desse pra eu ouvir seu coração batendo e sua respiração que, como sempre, compassa meus soluços. E sabe aquele abraço que só você sabe dar? Bem, é justamente dele que eu preciso, que só assim mesmo pra eu sair daqui sem me machucar ao quebrar tantas correntes. Porque só quando te sinto é que percebo que viver é muito mais.

*

Você bem que podia se mudar pra dentro de mim, não seria má idéia. Já até arrumei um lugar pra você. Limpei tudo, decorei com as mais lindas cores. Amarrei estrelas e tem sorrisos em todas as estantes. É tudo furta-cor, com você sempre me deixa. Só não me deixe.

*


Branna Lorenna