domingo, 31 de janeiro de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010


No amarelo das páginas de nossa história
Ainda vejo um sorriso.
Desbotado.
Fragmentos de sonhos na memória.
Amores pendurados.
Perdurados.
Tudo por um
f
i
o
.


Branna Lorenna
não é ilusão quando falo
que posso subir mais alto
tirando meus pés do chão
tudo em mim anda leve
e é bem mais fácil voar
com as asas do coração
Débora Paixão
E se você volta, tudo é mar.

É céu, azul, luar.
E qualquer lugar é casa,
com rede na varanda,
pro vento nos l
                        e
                         v
                      a
                      r.


Branna Lorenna

PROMOÇÃO! O Vendedor de Armas - Hugh Laurie
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Participem, galera!

sábado, 23 de janeiro de 2010


Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteróide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo:

É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a
gente vai ficando cada vez mais perto.
Os passos de todos os homens me fazem entrar dentro da minha toca.
Mas os seus passos me fazem sair.
E, depois, é a alegria.
Começo a ficar alegre e a me preparar na segunda-feira,
sabendo que você só virá na sexta.



"Um céu numa flor silvestre" - Rubem Alves


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Alta tensão



eu gosto dos venenos mais lentos

dos cafés mais amargos

das bebidas mais fortes

e tenho

apetites vorazes

uns rapazes

que vejo

passar

eu sonho

os delírios mais soltos

e os gestos mais loucos

que há

e sinto

uns desejos vulgares

navegar por uns mares

de lá

você pode me empurrar pro precipício

não me importo com isso

eu adoro voar.





Bruna Lombardi

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Quem balança vira criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. Seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento. Eu já sou avô e me rejuvenesço balançando até tocar a ponta do pé na folha do caquizeiro onde meu balanço está amarrado!"

Rubem Alves

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O menino e a borboleta encantada

Mil e uma noites haviam se passado desde que o Pássaro Encantado partira. Então ele voltou. Era madrugada. A Menina o viu tão logo a luz alegre do sol fez brilhar as suas penas. Ela o estava esperando. Os apaixonados esperam sempre... Ah! Como foi bom aquele abraço de saudade! Desta vez as suas penas estavam coloridas com as cores das florestas sobre as quais voara. O Pássaro Encantado pôs-se então a cantar os seres das matas, árvores, orquídeas, regatos, cachoeiras, elfos e gnomos... A Menina não se cansava de ouvir. Ouvia e pedia que ele contasse de novo as mesmas estórias, do mesmo jeito. E assim viviam os dois se amando por dias e dias. Mas sempre chegava o momento em que o Pássaro dizia: “Menina, o vôo me chama. Preciso partir. É preciso partir para que o nosso amor não tenha fim. O amor precisa de saudade para viver...” A Menina chorava baixinho mas compreendia. E assim o amor acontecia entre partidas e retornos.
As asas do Pássaro pareciam incansáveis. Estavam sempre à procura de lugares desconhecidos. Ele já visitara montanhas encantadas, planícies geladas, lagos, rios, abismos, castelos, uma cidade construída na divisa entre a realidade e a fantasia, um reino onde era proibido estar triste, lugares sagrados, vulcões, o país dos dragões verdes e dos gigantes amarelos, jardins, selvas verdes, mares azuis, praias brancas... Sobre todos esses lugares ele lhe contara estórias. A Menina não tinha asas. Mas ela voava nas estórias que o Pássaro lhe contava.
Mas os anos foram se passando. O Pássaro envelheceu. Suas asas já não eram as mesmas da juventude. E também os seus sonhos já não eram os sonhos da mocidade. Deseja-se partir quando é manhã. Mas quando o sol se põe o que se deseja é voltar. E assim um desejo novo surgiu no coração do Pássaro crepuscular: voltar...
O sol acabara de se pôr. Vênus brilhava no horizonte. Foi então que a Menina o viu. Suas penas pareciam incendiadas pelo sol. Depois do abraço ele disse para a Menina algo que nunca lhe dissera antes: “Menina, conte-me as estórias da minha ausência...” E foi assim que, pela primeira vez, o Pássaro se calou e a Menina lhe contou estórias.
Por muitos dias o Pássaro e a Menina gozaram do seu amor. Mas o Pássaro já não era o mesmo. Algo acontecera com os seus olhos. Já não procuravam horizontes longínquos. Eles olhavam as coisas simples que havia na sua casa, coisas que sempre estiveram lá, mas que ele nunca havia visto. Não vira porque o seu coração estava em outro lugar. É o coração que nos diz o que é para ser visto.
Aconteceu então, num dia como os outros, o Pássaro abraçou a Menina, e ele sentiu, nas costas da Menina, algo que nunca sentira.
“Menina, o que é isso?” ele perguntou. Ela enrubesceu e respondeu:
“Asas, pequenas asas... Estão crescendo nas minhas costas...”
E para que ele as visse baixou sua blusa. E ele viu. Sim, pequenas asas, delicadas asas, asas de borboleta, coloridas, diáfanas, frágeis... E ele percebeu que a Menina se preparava para voar. Sua Menina se transformara numa borboleta...
O Pássaro sorriu uma mistura de alegria e de tristeza. Sentiu um leve tremor nos lábios, aquele mesmo tremor que vira nos lábios da Menina a primeira vez que lhe dissera: “Eu quero partir...” Chegara a hora em que ela partiria e ele ficaria. Ele seria, então, aquele que esperaria. Como é dolorido ficar! A solidão de quem fica é maior que a solidão de quem parte! Quem parte vai para mundos novos, cheios de maravilhas desconhecidas. Quem fica, fica num espaço vazio, de objetos velhos, esperando, esperando, contando os dias.
O momento da despedida chegou. A Menina, flutuando com suas grandes asas de borboleta, disse ao Pássaro: “Preciso partir...”
O Pássaro teve vontade de chorar. Queria lhe dizer: “Não vá. Eu a amo tanto.” Mas não disse. Lembrou-se de que essas haviam sido as palavras que a Menina lhe dissera, quando ele partira pela primeira vez. O Pássaro temia por ela. Suas asas eram tão frágeis, asas de borboleta que quebram-se atoa. Queria estar com ela para consolá-la na solidão e no cansaço. Mas não fez gesto algum. Ele sabia que os abraços que não se abrem são mortais para o amor.
Ele estendeu a sua mão num gesto de despedida. A Borboleta voou e nela pousou. Ele se aproximou dela, como se fosse beijá-la. Mas não beijou. Apenas soprou suas asas suavemente. “Voa, minha linda Borboleta”, ele disse, se despedindo. A Borboleta bateu suas asas, voou e desapareceu na distância.
Então, ao olhar de novo para si mesmo ele não se reconheceu. Já não era o Pássaro Encantado de penas coloridas. Transformara-se num Menino... Um Menino que não sabia voar. Um Menino que esperava a volta da Borboleta Encantada. Então ele voaria nas asas das estórias que ela haveria de lhe contar..

Rubem Alves

domingo, 17 de janeiro de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Que apesar dos pesares conserva o bom-humor, caça nuvens nos ares, crê no bem e no amor?"

Drummond
E o que é o amor?

Para mim a definição verdadeira de amor está na Bíblia, em I Corintios 13. Vejo muitas pessoas se enganando em relacionamentos achando que amor é o que mantém, mas sabemos que existem muitas coisas além disso. Amor para mim é algo que supera todos os limites do nosso egocentrismo, embora as vezes nos enganemos por não perceber ou não querer perceber que no fundo não passa de egoísmo. Sim, o amor não é algo inato, e não é algo simples de conquistar. É um processo lento e que exige muito esforço, mas depois que pega o jeito a coisa anda e você se sente maravilhado. É como andar de bicicleta. Amor não é algo que simplesmente acontece, é resultado de investimento contínuo no próximo e em você mesmo.
Débora Paixão
*
Recado dado.
Ficaadica!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Esse papel não serve, Senhor Visconde.
Quero papel cor do céu com todas as suas estrelinhas.
Também a tinta não serve.
Quero tinta cor do mar com todos os seus peixinhos.


Memórias da Emília


respingos

como é difícil separar dois líquidos.
pobres humanos.
que nasceram com o fardo
de serem quase que só água.


(scapin)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


tatuagem

as notas soam nas calçadas
quando passam seus pés por elas
dança o concreto
queimando com a clave de sol.
(scapin)

queda livre

queda livre

só se jogue do alto do prédio. se portar um bom pára-quedas. ou se lá em baixo é um breu. só se jogue do alto da torre. se tiver um bom controle. pra pousar no beijo meu. se jogue no lago. na armadilha. com alguém do lado. caia numa trilha. o tombo termina sempre em pedra ou em mar. se jogue num rastro. na cachoeira. pule do penhasco. eira nem beira. o tombo termina sempre em pedra ou em mar.


Octávio Scapin
"... e de repente olhaste uma flor sobre uma sepultura e disseste que gostavas tanto de amarelo e eu disse que amarelo era tão vida e sorriste compreendendo e eu sorri conseguindo e vimos uma margarida e nem sequer era primavera e disseste que margarida era amarelo e branco e eu disse que branco era paz e disseste que amarelo era desespero e dissemos quase juntos que margarida era então desespero cercado de paz por todos os lados."

Caio F.
"Ele chegou como quem vem pra ficar pouco tempo, com muito silêncio e versos mudos. Era um mistério, notou. Notou e tão logo se propôs a ser tela, deixando que ele se desvendasse por si. Tantas cores não habituais foram pintadas, tanta poesia antes não escrita preencheu páginas em branco. Foi assim que apareceram. Ele é aquele menino que ela conheceu nos primeiros dias de escola, com o qual dividia o lápis de cor e o lanche. E ele carregava sua mochila, quando estava pesada demais. Carrega. Onde se encontraram? Se (re)conheceram dos sonhos. Já dividiram pesadelos, também. Já se dividiram, mas somam-se muito mais. O pouco tempo, hoje, é infinitude. Ele carrega consigo qualquer coisa que tranquiliza as horas dela. É feito de coração. Cor, ação, olhinhos de cor desmaiada, um sorriso doce, uma palavra exata, uma besteira bem dita pra fazer doer-lhe a barriga de gargalhar. Ela já quis carregá-lo no bolso. Já quis pendurá-lo de cabeça pra baixo, também. Sobre ele, diria todas as palavras mais lindas e sentidas."

Jaya

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sem você eu perco os sentidos.
Não tenho nexo.
Sou feito casa sem chão.
Dadaísta.

É que quando você vai
Eu me parto em dois.
E só metade eu não funciono.

Mas quando você voltar,
Vou recompor meus pedaços
E colar cada estrela
Que ficou pra trás
Entre mim e ti.

E você vai ver
Que meu abraço
É o molde do teu corpo,
E que minha respiração
Ainda é compassada
Por teu pulsar...
Como nos velhos tempos.





Branna Lorenna

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

“(...) Mas a verdade é que chega-se sempre longe demais quando não se quer Ir Direto Aos Fatos, e o problema de Ir Direto Aos Fatos é que não há cir-cun-ló-quios então, e a maioria das vezes a graça reside justamente nesses Vazios Volteios Virtuosos.”

Caio F.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

'Saudade não deveria mesmo existir em língua alguma, sobretudo na dos namorados.'

Branna Lorenna

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

'Com você as coisas são diferentes, mais claras.
Preto no branco.
Sinceras.
Cúmplices.'

Branna Lorenna 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dois Barcos

Quem bater primeira dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer
Aponta pra fé e rema

É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto teus sinais
Pode ser da vida acostumar

Será, Morena?
Sobre estar só, eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar
Dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?
Doce o mar, perdeu no meu cantar

Marcelo Camelo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond