quinta-feira, 11 de novembro de 2010

1 aninho...

Hoje este cantinho faz um ano.
Me lembro como se fosse hoje, agora, neste exato momento.
Eu, toda boba, transbordando amor e muitas ideias. Num momento de puro devaneio me deparei com uma frase dum dos escritores mais queridos, Rubem Alves : "Todo jardim começa com uma história de amor".  Era isto! O amor me florescia, porquê não aproveitar e plantar um jardim? Assim nasceu o Jardim, mas ainda não era Furta-Cor. O furta-cor só veio com Quintana: "Sua alma era furta-cor". E tem coisa mais bonita que furta-cor? Que nem aquelas lantejoulas antigas que a vó guardava num potinho...
Pronto! Estava plantado... e florescia tão rápido, numa força, numa beleza de encher os olhos! Mas tudo isto devo aos jardineiros daqui, sempre presentes, dispostos, cheios de sorrisos. Eles é que me ensinaram a cuidar bem das flores, ensinaram que com sorrisos e conversas as flores crescem mais rápido e outros segredinhos...
Só tenho a agradecer a todos que passaram e passam por aqui. Àqueles que pousam rapidamente, feito borboleta; àqueles já plantados aqui, com raízes fundas... Todos vocês estão no meu coração e fazem parte da minha história. Obrigada!

*****
Pra relembrar, repostagem:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Furta-cor

"... Sua alma era furta-cor"
(Mario Quintana)

..*..


Como diria Rubem Alves - "Todo jardim começa com uma história de amor". Com ela não haveria de ser diferente. Aquilo não passava de um lote baldio, repleto de entulhos. Lixos antigos, passado sempre presente. Ela era capaz de se perder ali por horas; arrancava uma erva-daninha aqui, abria caminho ali... Arrastava os meses e no fim sempre concluia o mesmo: "Isto não tem solução". Só não entendia porquê. Aquilo era o caos e mesmo assim a atraia tanto e tanto. Não havia flores, a vida se restringia aos poucos insetos que atreviam a se instalar lá. Mal sabia ela que onde há terra, há vida. Uma vida pulsante, gritando pra viver. Esperando só a chuva refrescar os ares e trazer de volta os beija-flores.

E foi assim, num temporal, que o caos apareceu brilhantemente radiante. Impossível sobrar vida depois daquele vendaval, nada restaria, ela tinha plena convicção disto. E mais uma vez a natureza tratava de enganá-la. Esta mãe que gosta de nos pregar peças. Repare só: Tem noites tão escuras que achamos impossível que o brilho do sol vença tanta escuridão. E no entanto, lá vem o astro brilhante, trazendo o dia mais iluminado que poderíamos imaginar.

Naquele dia o sol despejara toda sua glória sobre seu quarto-de-despejo. A chuva, recém-caída, ainda escorria sobre seu rosto. Aquele cheiro de terra molhada, de vida nova. Ela reconheceria este aroma em qualquer lugar, mesmo nunca o tendo sentido. Invadia-lhe a pele, o sentido, cravava-lhe a alma. E dos olhos - ah! os olhos... - dele escorriam gotas multicoloridas, que ao tocar o chão brotavam flores translúcidas. Não sabia que cores eram aquelas. Furta-cor. Era assim que sua alma enfim se sentia.

2 comentários:

  1. Aaah, que lindo...aniversariando!
    Sempre que vejo algo de Rubem Alves, lembro do seu jardim...pra mim é como se um estivesse ligado ao outro, e estão né, atravez de tanta belezura* que trazem pra nossa vida!
    Parabéns pelo blog querida, esse que é tão lindo quanto vc, que tem mesmo uma alma tão furta cor.



    Te deixo flores,
    Um beijo!

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  2. Esse textinho é lindo!!!
    Parabéns pelo 1 ano de blog!

    Bjks, Branninha

    E sua alma É furta cor ;)

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