sexta-feira, 21 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012


receita para uma vida mais bela:
cataventos na janela.


Branna L.




E que seja corrida a semana,
o trânsito,
a vida.
Que tudo passe rápido.
E nada mais seja leve.
Porque já vi que o tempo leva.
E que não faz sentido seguir com as pernas
o que a alma não consegue levar em frente.
Que passe tudo com um furacão.
Que me sobrem os cacos.
Farei vitrais.


Branna L.

Não jogo cartas fora, todas as fotos continuam intactas. E, se quiser saber, na vitrola ainda está aquele blues. Eu ainda danço e cantarolo ele de cor.
Eu sei, não consigo seguir a Filosofia do Desapego, mas entenda: tudo aquilo é memória - pedaços de mim.
É tão bom olhar pra trás e rever tudo - sem dor, sem culpa - e até mesmo perceber uma leve pitada de ironia-da-vida.
É como assistir um filme de mim mesma. O engraçado é que, apesar de tê-lo vivido, eu sempre descubro um novo brilho no olhar, ou um sorriso que me passou desapercebido.
Só não descubro você lá.
Ao menos não o 'você' que eu vivi.
Mas, sabe, é bom esse sentimento.
Há uma paz nisto tudo que talvez só eu entenda. 
Enfim, livre. 
Rever a cicatriz e não sentir dor, nem raiva, nem pena.
Não sentir, simplesmente.
Penso que talvez seja esse meu mais puro lado. Aquele que você não viu ao virar o disco de blues.

Branna L.