terça-feira, 27 de novembro de 2012

Bia e Mark - Trailer from 3 mais 1 Filmes on Vimeo.

“Não é coincidência demais o amor da sua vida aparecer justo na sua vida?”
(A Dona da História - Filme)

Lindo trabalho da 3 +1 Filmes.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LIRA DOS QUARENTA ANOS
(Ao Grande Poeta Álvares de Azevedo)


Teu umbigo é uma taça em meia lua:
não lhe falte o licor!
Teu abdome é um monte de trigo cercado de lírios.
Teus dois seios são como dois filhotes
Gêmeos de uma gazela.
(Bíblia – Cântico dos Cânticos 7, 3)


Tu não sabes dos caminhos amargos
Por onde andei
Não tens noção do quanto sofri

Por não ter beijado aqueles lábios
Por não ter tido aquele corpo
Por não ter amado aquela alma

Que sempre me quis, e eu – pobre poeta
Sempre me esquivei
Da possibilidade de vivê-los

Quão chora meu despedaçado coração
Quanto sangue de minhas veias abertas
Enchem as represas da minha amarga solidão

Pobre desgraçado sou eu
Que não suporta mais sangrar de arrependimento
Que não suporta mais olhar para esse infeliz guerreiro
[covarde

Desertor da própria vida
Aquele que não teve coragem de viver de verdade
A lira dos seus vinte anos
Poderia ter beijado – não beijei
Poderia ter amado – não amei
Poderia ter dançado todas as bossas – não dancei


Poderia ter abraçado teu corpo – não pude... perdoai
Poderia ter feito loucuras – tive medo
Tudo poderia ter sido – mas não foi
[morri aos vinte anos

Minha morte foi suicídio disfarçado
Escondi minhas vontades por detrás da coxia da morte

Tive medo de pisar no palco
Tive medo de entrar em cena
Tive medo de viver a plenitude
Da lira dos meus vinte anos

Hoje no alto dos meus quarenta anos, continuo morto
Sem ter beijado teus lábios virgens
Sem ter tocado nos teus seios rijos

Sem ter vivido as deliciosas liras
Da minha
Vida







Pedro Cáceres

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Felicidade se acha é só em horinhas de descuido.

Guimarães Rosa


via Miscelânea.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"É um contentamento descontente"


Falam tanto sobre o amor, querem tanto vivê-lo. Mas ninguém sabe dizer exatamente o que é. Acredito que o amor esteja contido nos pequenos detalhes, nesses momentos sagrados, mas intocáveis por parecerem insignificantes. Por esse motivo, algumas pessoas não acreditam nesse sentimento bonito e acolhedor. Certas coisas só são visíveis para aqueles que creem. Não é possível ter algo tão bonito nas mãos quando se precisa de provas para julgá-lo existente. Não é possível fazer parte desse círculo mágico do amor quando não se tem coragem de entrar na roda de olhos vendados.

Confundem o amor com tantos sentimentos: paixão, atração, amizade, companheirismo. Quando ele não é nada disso e tudo ao mesmo tempo. Amor é o que resta depois que todos os outros sentimentos vieram ao chão. É o que fica quando a amizade foi comprometida por um erro, quando a paixão e a atração se esvaíram por um problema qualquer, quando o companheirismo mandou lembranças depois que um dos dois passou por uma crise existencial. Mas é também precisar ter tudo isso para se sentir amada e claro, sentir-se capaz de amar. É complicação. É calmaria. É montanha-russa. E a paz de saber que o brinquedo percorreu a trajetória e parou. Já se pode descer, pegar na mão do seu amor e ir passear enquanto o Sol dança com vocês enroscados entre o algodão doce e os brinquedos que foram ganhos no tiro ao alvo.

Amor é se sentir seguro no escuro, simplesmente por enxergar luz nos olhos do outro. É identificar um cheiro entre mil outros. É quando algo que antes não tinha qualquer importância começa a ser motivo de lembrança, de riso no meio da tarde, de sonhar bonito mesmo acordada. Amor é o que a gente não vê e não consegue traduzir, mas quer que tenha um cheiro, um nome, um endereço, uma voz que diz "estou com saudade" quando menos se espera.



[Noemyr Gonçalves]

*Título é Luís de Camões

Texto descaradamente tirado daqui: http://retalhos-de-amor.blogspot.com.br/
É impossível me deparar com um texto lindo assim e não plantá-lo aqui.

domingo, 4 de novembro de 2012

É o que me interessa


Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou

Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa

Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

Lenine