segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LIRA DOS QUARENTA ANOS
(Ao Grande Poeta Álvares de Azevedo)


Teu umbigo é uma taça em meia lua:
não lhe falte o licor!
Teu abdome é um monte de trigo cercado de lírios.
Teus dois seios são como dois filhotes
Gêmeos de uma gazela.
(Bíblia – Cântico dos Cânticos 7, 3)


Tu não sabes dos caminhos amargos
Por onde andei
Não tens noção do quanto sofri

Por não ter beijado aqueles lábios
Por não ter tido aquele corpo
Por não ter amado aquela alma

Que sempre me quis, e eu – pobre poeta
Sempre me esquivei
Da possibilidade de vivê-los

Quão chora meu despedaçado coração
Quanto sangue de minhas veias abertas
Enchem as represas da minha amarga solidão

Pobre desgraçado sou eu
Que não suporta mais sangrar de arrependimento
Que não suporta mais olhar para esse infeliz guerreiro
[covarde

Desertor da própria vida
Aquele que não teve coragem de viver de verdade
A lira dos seus vinte anos
Poderia ter beijado – não beijei
Poderia ter amado – não amei
Poderia ter dançado todas as bossas – não dancei


Poderia ter abraçado teu corpo – não pude... perdoai
Poderia ter feito loucuras – tive medo
Tudo poderia ter sido – mas não foi
[morri aos vinte anos

Minha morte foi suicídio disfarçado
Escondi minhas vontades por detrás da coxia da morte

Tive medo de pisar no palco
Tive medo de entrar em cena
Tive medo de viver a plenitude
Da lira dos meus vinte anos

Hoje no alto dos meus quarenta anos, continuo morto
Sem ter beijado teus lábios virgens
Sem ter tocado nos teus seios rijos

Sem ter vivido as deliciosas liras
Da minha
Vida







Pedro Cáceres

Um comentário:

  1. Oiie!!
    Lindinho teu blog!
    Te mando o link do meu: http://umarosachiclete.blogspot.com.br/

    Me segue e eu te sigo!!!

    bejokas!

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